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Novo espetáculo da Companhia do Latão no Teatro III do CCBB Destaque

Lenise  Pinheiro / Divulgação Lenise Pinheiro / Divulgação

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro estreia dia 19 de janeiro no Teatro III, às 19h30, O Pão e a Pedra, novo espetáculo da Companhia do Latão, de São Paulo, dirigida por Sérgio de Carvalho.  A montagem acompanha as dificuldades de várias personagens do mundo do trabalho durante a greve dos metalúrgicos de 1979 no ABC. Histórias de aprendizados políticos e de luta pela sobrevivência se desenvolvem em torno do caso central de uma mulher operária que se disfarça de homem para melhorar de vida, questionando a situação feminina num ambiente fabril.

Misturando elementos realistas, fantásticos e documentais, a encenação contrasta a prática política de uma greve histórica, cujas assembleias no Estádio da Vila Euclides contavam com mais de 70 mil trabalhadores, com expectativas ideológicas alimentadas pelo imaginário de três grupos: o novo sindicalismo, a Igreja progressista e o movimento estudantil de esquerda. Em meio à campanha salarial e ao enfrentamento da polícia, os operários de O Pão e a Pedra travam um embate com a própria vida coisificada.

Com direção de Sérgio de Carvalho, também responsável pela concepção do projeto e pelo roteiro final, a montagem é uma criação coletiva que contou com a colaboração de uma equipe de pesquisadores, entre os quais Julian Boal. A direção musical e a execução ao vivo estão a cargo de Lincoln Antonio, do grupo musical A Barca, que volta a colaborar com a Companhia do Latão depois de 15 anos. No elenco, 10 atores, entre os quais Helena Albergaria, Ney Piacentini, Rogério Bandeira.

O Pão e a Pedra foi ensaiado nos primeiros meses de 2016. O ponto de partida da pesquisa, formulado dois anos antes, em continuidade com outros trabalhos autorais da Companhia do Latão, era o das relações contraditórias entre imaginário ideológico e situação produtiva - na experiência recente da vida no Brasil. Os primeiros contatos com a temática da religião cristã levou o grupo a recuos históricos: a influência da Teologia da Libertação e seu papel nos anos da ditadura militar na crítica da desigualdade social fez com que a pesquisa se aproximasse de outras questões, como a do "novo sindicalismo", que se desenvolve e ganha projeção nacional com as grandes greves do ABC que ocorreram nos anos de 1978, 1979 e 1980. Essa junção entre igreja e movimento de trabalhadores, tensionada pela pressão de setores intelectualizados de esquerda, se tornaria emblemática na luta pela democratização e mudaria as coordenadas da política de esquerda no país.
 
SERVIÇO:
Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
Telefone para informações: 3808.2020.
De quarta a domingo, às 19h30 |
Duração: Dois atos totalizando 2h50 (170 minutos).
Temporada: 19 de janeiro a 13 de fevereiro
Classificação Etária: 16 anos
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

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