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Festa Brasileira: Fantasia Feita à Mão

Fabio Caffe / Divulgação Fabio Caffe / Divulgação

O Centro SEBRAE de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB) inaugura no próximo dia 20 de junho para convidados, e no dia seguinte para o público, a exposição “Festa Brasileira: Fantasia Feita à Mão”, com curadoria de Raul Lody e Leonel Kaz, e concepção visual de Jair de Souza.  A mostra ocupará todo o primeiro andar do CRAB, em nove ambientes distintos que irão envolver o público em toda a magia, força criativa e inventividade popular na criação de objetos, adereços, máscaras, vestimentas e instrumentos musicais para as grandes festas brasileiras. As peças reunidas pelos curadores, com apoio do SEBRAE junto a associações de artesãos, foram produzidas especialmente para celebrações populares como a Congada, em Minas Gerais, as Cavalhadas, no Centro-Oeste, as Folias de Reis fluminenses, os Reisados, em Alagoas, o Maracatu Rural, em Pernambuco, o Bumba Meu Boi, no Maranhão, o Boi de Mamão, em Santa Catarina, o Carnaval, em várias partes do país, festejos rituais indígenas da região amazônica, entre outras manifestações.  Os curadores selecionaram ainda importantes conjuntos de pequenas esculturas de arte popular, que representam festas brasileiras, pertencentes a duas das mais respeitadas coleções privadas deste segmento: a de João Maurício Araújo Pinho e Irapoan Cavalcanti de Lyra.

Ao chegar ao primeiro andar do CRAB, o público será recebido por saudações oriundas de blocos, romarias e desfiles estampadas em estandartes pendurados no teto. Nas paredes, a exuberante e colorida padronagem característica da chita de algodão ampliada em até 12 vezes, já indicando a profusão de cores que o visitante encontrará no percurso da exposição.

Em uma estante, estarão disponíveis máscaras inspiradas na figura mais presente das festas brasileiras: o boi. Assim, o público poderá percorrer a exposição com a máscara, e depois levá-la para casa como memória da visita.

O primeiro espaço da exposição é a Sala dos Espelhos, com uma videoinstalação composta por paredes opostas cobertas por espelhos – gerando uma perspectiva infinita – e multiprojeções em grande formato de 51 fotografias de Rogério Reis (1954, Rio de Janeiro), pertencentes à série “Na lona” (1987-2001). Nesta pesquisa, o fotógrafo registrou no subúrbio do Rio foliões com fantasias precárias e espontâneas, um contraponto às imagens espetaculares e suntuosas relacionadas ao Carnaval carioca.

Na segunda sala, Festa Feita à Mão, o visitante tomará contato com os cortejos. Estarão dispostas em vitrines obras criadas por artesãos para representar as festas populares. As peças pertencem a duas das mais importantes coleções privadas de arte popular do país – João Maurício de Araújo Pinho e Irapoan Cavalcanti de Lyra. Feitas em barro, madeira, papel, fibra ou tecido, registram a diversidade de nossas festas e revelam a singularidade do artesão e a identidade de grupos, segmentos étnicos e regiões. Dentre as obras, estão cinco raros conjuntos produzidos por Mestre Vitalino (1909-1963), de Alto do Moura/Caruaru, em Pernambuco. As festas representadas vão da Dança do Pau-de-Fita (ou Trança), em Santa Catarina – memória dos festivais de primavera do Hemisfério Norte – às variações de Bumba Meu Boi, presente em vários estados; e às diversas manifestações do Divino Espírito Santo, em Minas, São Paulo, Goiás (como o Batalhão de Carlos Magno, com mouros x cristãos), além do Reisado, no Ceará, Dança e Mascarados, no Vale do Jequitinhonha, em Minas, o Cortejo da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, na Bahia, e Moçambique, que celebra os santos das irmandades dos homens negros, em Taubaté, São Paulo.

A seguir, a sala Máscaras da Fantasia 1 reúne máscaras de várias festas brasileiras, muitas ligadas a ritos. Neste amplo espaço o público tomará contato com figuras impressionantes como o Jaraguá, um dos personagens fantásticos do Bumba meu boi de Alagoas; o Waurá, do povo indígena do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso, que representa um ser da natureza e é usada apenas por homens; o Cazumbá, que simboliza o espírito dos animais no Bumba meu boi do Maranhão; o Tapirapé, confeccionada pelo pajé em madeira e expressiva plumária, para garantir o crescimento da lavoura e a fertilidade das mulheres, em povos indígenas de Mato Grosso e Tocantins; e o Mandu, personagem fantástico que traz as memórias africanas dos ancestrais, em Cachoeira, Bahia. Nesta sala estarão ainda vários outros conjuntos de máscaras, como as que anunciam as Cavalhadas – representações das lutas entre cristãos e mouros – em Pirenópolis, Goiás; além das máscaras de Carnaval de Olinda, Pernambuco, ou em Tatuamunha, em Alagoas, entre outras peças.

Ao chegar a Máscaras da Fantasia 2, o visitante conhecerá o núcleo central da exposição. Ali estarão as indumentárias que se integram às máscaras e aos instrumentos musicais, adereços ou estandartes. Há um fazer artesanal apurado em tudo: costura, renda, tecelagem, pintura, colagem. No centro da sala estarão dois conjuntos que celebram o encontro entre a tradição milenar do uso de matérias-primas naturais das florestas, nas máscaras-indumentárias dos índios Caiapó, de Mato Grosso e Pará, com os contemporâneos materiais reciclados de “latinhas” dos Homens de Lata do Carnaval da Ilha de Madre de Deus, no Recôncavo da Bahia. Ali estarão também, entre muitos outros, os Bate-Bolas, tradicionais do Carnaval do subúrbio do Rio de Janeiro, o Congadeiro, presente em Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, São Paulo, Sergipe e Paraíba; o Zambiapunga, uma palavra quimbundo que vem do nome Zambiapombo (deus criador), tradição do Dia de Todos os Santos na Bahia, memória das festas dos Bacongo, grupo etnocultural Bantu.

A sala Barracão traz uma videoinstalação formada por uma parede coberta por 36 mil lantejoulas, onde haverá uma multiprojeção de cinco minutos do filme inédito “O Próximo Samba”, de Marcelo Lavandoski. As imagens foram captadas pelo cineasta ao longo de oito meses no barracão da Escola de Samba Mangueira, revelando a multiplicidade e complexidade do fazer artesanal para o desfile, com o trabalho dedicado de marceneiros, costureiras, pintores, escultores e modeladores, que transformam sonhos em objetos, alegorias e fantasias.

O espaço Batucada Digital é interativo, e destaca a presença e a importância da música dos instrumentos artesanais de percussão, que nos aproximam e nos identificam como brasileiros, e entrelaçam nossas raízes europeia, ameríndia e africana. Com paredes forradas por caixas de ovos, para dar isolamento acústico, o público poderá tocar digitalmente doze tipos diferentes de instrumentos de percussão, em seus diversos timbres, a partir de telas sensíveis sobre uma mesa central. Além de interativa, a mesa digital propicia um som conjunto, colaborativo, com até doze pessoas tocando simultaneamente. Os sons emitidos serão de instrumentos como tambor, pandeiro, zabumba, agogô, alfaia, tamborim, surdo, tambor-onça e matraca. Suspensos no teto, sobre a mesa digital, estarão instrumentos musicais artesanais encontrados em todo o país – atabaque, adjá, caxixi, agogô, triângulo e pratos – ou específicos de alguns estados, como alfaia, caracaxá e “porca” (cuíca), de Pernambuco; pau-de-chuva, da Amazônia; maracá, de Mato Grosso; casaca, do Espírito Santo; adufe, de Minas Gerais, entre muitos outros.

Na sala interativa Entre nessa Festa! o público é convidado a fazer seu retrato com celular dentro de uma das 100 imagens com cenas do Carnaval de 2017, feitas especialmente para a exposição pelos fotógrafos AF Rodrigues, Elisangela Leite, Fabio Caffé, Luiz Baltar e Monara Barreto, do coletivo Folia de Imagens – oriundo da Escola de Fotógrafos Populares/Imagens do Povo do Observatório de Favelas da Maré – com a coordenação do fotógrafo e antropólogo Milton Guran.  As 100 imagens, que estarão também expostas em impressão sobre papel, numeradas, serão projetadas em looping, em grande formato, como um cenário. O visitante escolhe a que deseja, clica no número, e se posiciona para sua selfie. Além de ser compartilhada em suas redes sociais, a imagem resultante irá para um banco de dados na internet que ficará disponível durante o período da exposição.

O último espaço de visitação é a Loja do CRAB, onde estarão várias peças artesanais de várias regiões do país, de modo a valorizar esta cadeia produtiva das festas – criativa, ampla, complexa – que envolve centenas de milhares de profissionais, preservando técnicas manuais tradicionais, e reinventando soluções para novos materiais.

SERVIÇO: EXPOSIÇÃO “Festa Brasileira: Fantasia Feita à Mão”
Abertura: 20 de junho de 2017, às 19h
Visitação pública: 21 de junho a 28 de outubro de 2017
CRAB – Centro SEBRAE de Referência do Artesanato Brasileiro
Praça Tiradentes, 69, Centro
Terça a sábado, das 10h às 17h
Telefone: 3380.1855
Entrada gratuita


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