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Tsundoku, uma eterna missão

Tsundoku, uma eterna missão

Acontece com todo mundo que tem vício de leitura no mundo inteiro – e por isso, os japoneses criaram a palavra “tsundoku” para denominar o hábito de adquirir um livro, folhear, ler um pouquinho  e empilhar junto a outros, também deixados de lado com o firme propósito de serem degustados em outra ocasião.  A única maneira de desmanchar o tsundoku é lendo cada volume. O tsundoku não se forma com aqueles clássicos reservados para serem apreciados na aposentadoria, como Em busca do tempo perdido, Ulisses e Os Buddenbrook. O tsundoku se compõe a partir da indolência e da certeza de que chegará o momento certo de mergulhar naquelas páginas.

Tsundoku de respeito não tem apenas aqueles calhamaços de muitas páginas, não. Tem livros tão miudinhos que não acompanhariam uma viagem de ônibus intermunicipal. Há alguns anos no alto de minha pilha está uma coletânea de pequenos textos de Virginia Woolf sobre a condição feminina e um devaneio durante um passeio. Não somam 50 páginas e nem título têm, reunidos, em 1997, num magérrimo livrinho da Coleção Leitura, da editora Paz e Terra. A novela de Gillian Flynn, O Adulto (Intrínseca, R$  24,90) também foi empilhada num dos grupos seletos de tsondukus. O thriller é protagonizado por uma jovem vigarista que se passa por vidente, falando à clientela exatamente o que cada pessoa deseja ouvir, e é contratada para descobrir o segredo por trás da maldição que envolve uma família rica.    

Prestes a ser transferido para os livros da aposentadoria está Viagens da minha terra (Nova Fronteira, R$ 19,90), de Almeida Garret. Permanece nas imediações apenas porque a edição tão simpática e o texto encantador  vêm me tentando a ler em data próxima. Simpático também é Glück – o que um ano sabático nos ensinou sobre a felicidade (BestSeller, R$  29,90) de Karin Heck e Fred di Giacomo, um casal de jornalistas que passou 2012 rodando o mundo e conversando com filósofos, médicos, artistas, líderes religiosos e “pessoas comuns com vidas extraordinárias” sobre o que nos faz feliz. Tendo em vista que a OMS considera o Brasil o país com maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo – 9,3% da população brasileira e assustadores 30% dos moradores de São Paulo -, o tema é mais do que relevante. Fechando a pilha de ficção, Elena Sabe (Alfaguara, importado, à venda na Estante Virtual), da argentina Claudia Piñeiro, conta a procura de uma mãe, por toda Buenos Aires, pelo assassino da filha.

A pilha de ensaios é encabeçada por Arquitetura da felicidade (Rocco, esgotado ), de Alain de Botton, um mestre na mistura de fatos corriqueiros com filosofia e história. Ricamente ilustrado, de leitura facílima, é um desses livros que se guarda para “aproveitar melhor a leitura” em ocasião tranquila – e acaba deitado na mesa de cabeceira à espera desse dia que custa, mas um dia chegará! Um olhar multifacetado também caracteriza Paul Kriwaczek, austríaco que se formou em odontologia em Londres e trabalhou no Irã e no Afeganistão antes de se tornar jornalista da BBC por 25 anos. Em Babilônia (Zahar, R$ 66,90), a amplitude da formação de Kriwaczek é demonstrada ao tratar de um império que durante 4 mil anos foi o centro cultural e político do mundo, desenvolvendo a roda e a navegação à vela, construindo a estrutura da civilização mundial.
 

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