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Exposição apresenta fotografias do maliano Seydou Keïta

Reprodução Reprodução

A mostra Seydou Keïta, chega ao IMS Rio. A exposição apresenta 130 obras do fotógrafo maliano, considerado um dos precursores dos retratos de estúdio na África. Realizadas entre 1948 e 1962, suas fotos registram as expressões e os gostos dos habitantes de seu país. As imagens também documentam um período de transformação no Mali, que caminhava rumo à sua independência, em 1960. A curadoria é de Jacques Leenhardt, diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, e Samuel Titan Jr., coordenador executivo cultural do IMS.

A seleção inclui 44 tiragens vintage, em formato de 18 x 13 cm, ampliadas e comercializadas pelo próprio Keïta em Bamako, e exibidas, pela primeira vez no Brasil, na mostra no IMS Paulista. As demais obras são fotografias ampliadas na França, sob a supervisão de Keïta, ao longo da década de 1990, quando sua obra é redescoberta no país e também nos Estados Unidos. Em formatos mais clássicos (40 x 50 cm e 50 x 60 cm) ou francamente murais, chegando a 1,80 x 1,30 m, sinalizam a entrada do seu trabalho num circuito internacional de galerias e museus.
 
Autodidata, Keïta começou a fotografar logo após receber do seu tio uma Kodak Brownie, câmera popular na época. Curioso, tentava aprender a técnica enquanto trabalhava como carpinteiro, ofício de sua família. Aos poucos, aperfeiçoou sua prática, e também começou a revelar suas próprias imagens. Em 1948, abriu seu estúdio, onde retratou a elite de Bamako, a pequena-burguesia em ascensão em pleno regime colonial, mas também gente do campo em visita à cidade. Funcionários do governo, donos de lojas e esposas de políticos visitavam o fotógrafo, em busca de imagens que simbolizassem o seu status social.
 
Sua clientela era formada também por jovens, cujas vidas nas metrópoles contrastavam com a rotina e os saberes do campo. Em uma das poucas entrevistas que concedeu, Keïta menciona essas diferenças regionais.
 
Essa tensão entre modernidade e tradição pode ser identificada nos próprios retratos produzidos pelo fotógrafo. Nas imagens, símbolos tradicionais, como as estampas coloridas dos vestidos, convivem com automóveis e rádios, grandes emblemas do sucesso econômico e de um estilo de vida ocidental. Em seu estúdio, Keïta disponibilizava para seus clientes várias roupas, como ternos europeus e boinas francesas. A convergência desses elementos aparentemente díspares também evoca um momento de ruptura histórica, como pontua Samuel Titan Jr.
 
Até disparar o clique, Keïta realizava um procedimento meticuloso de “direção de arte”, compondo cada detalhe da cena. Ele costumava, por exemplo, criar correspondências formais entre os vestidos das mulheres, ricos em desenhos geométricos, e os fundos das fotografias, compostos por tecidos ornados com desenhos. Além de se preocupar com o cenário, Keïta orientava os clientes, coordenando seus gestos e poses diante da câmera, em busca do melhor ângulo. Como resultado, surgiam imagens delicadas, sempre em preto e branco, feitas a partir da colaboração entre o fotógrafo e seus modelos.
 
Também adotada por outros colegas, essa postura de empatia representava uma ruptura com os fotógrafos vindos da Europa que, durante muito tempo, retrataram o continente apenas com o olhar externo e distante do colonizador.
 
Em cartaz até 27 de janeiro de 2019, a mostra tem apoio do Institut Français du Brésil e do Consulado Geral da França no Rio de janeiro.
 
Seydou Keïta
Abertura: 5 de setembro, às 18h.
Na ocasião, haverá uma visita guiada pelos curadores Jacques Leenhardt e Samuel Titan Jr. A entrada da visita é gratuita e sujeita a lotação da galeria.
Visitação: 6 de setembro a 27 de janeiro de 2019
Curadoria: Jacques Leenhardt e Samuel Titan Jr.
Entrada gratuita
IMS Rio
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: 3284-7400
 
Horário de funcionamento: de terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 11h às 20h


Última modificação emTerça, 16 Outubro 2018 14:58
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