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“Felizes Mortos” em março, em Botafogo Destaque

Priscila Jammal / Divulgação Priscila Jammal / Divulgação

Em cena, Joana Kannenberg e Júlia Portes vivem duas mulheres que se reencontram em um cemitério para pintar o túmulo de uma senhora. Peça aborda o conflito entre o conservadorismo e a quebra de padrões, 

e como o peso da culpa e o julgamento do outro podem interferir em nossas decisões.

 

Duas jovens mulheres se encontram em um cemitério para realizar o último pedido de uma velha senhora: pintar seu túmulo com artes cheias de cor e vida. Esse é o ponto de partida de “Felizes Mortos”, espetáculo que estreia em 8 de março no Reduto, em Botafogo, para curta temporada de quatro semanas, com apresentações sextas e sábados, às 20h, até 30 de março.

 

Dirigida por Lucas Lacerda — que recentemente esteve como ator nos espetáculos “A Mentira”, “Os Javalis” e “Nem Mesmo Todo Oceano” — a montagem busca refletir sobre os dilemas internos do ser humano proporcionados pelo espectro da morte e da culpa. Em cena, Joana Kannenberg e Júlia Portes vivem, respectivamente, Francini e Marta, protagonistas de uma história marcada pelo abandono e pelo rancor. Ainda crianças, elas tornaram-se amigas e, ao longo dos anos, partilharam descobertas e experiências da juventude. Elas não se veem desde que Francini mudou-se para a cidade grande em busca em uma nova vida. O reencontro no funeral de sua avó será marcado por um confronto ético e moral, cheio de ressentimento, intolerância e expectativa.

 

A dramaturgia foi construída a oito mãos pelo diretor Lucas Lacerda, pelas atrizes Joana Kannenberg e Júlia Portes e pela roteirista Denise Portes, mãe de Júlia, durante o processo de criação da montagem, livremente inspirada em uma história real. Há dois anos, Denise decidiu pintar o túmulo da mãe, falecida em 2016, num encontro familiar repleto de risos, cores e lembranças para celebrar a vida. 

 

“Felizes Mortos” propõe um olhar reflexivo sobre nossos comportamentos face à morte e como a construção social de uma pessoa por meio do viés religioso define os parâmetros éticos de muitos brasileiros.

                         

A peça questiona também as relações familiares e laços sanguíneos em tempos de polarização ideológica em que influências externas da sociedade afetam nossos encontros, escolhas e comportamentos que nos distanciam de nosso próprio desejo. Quais são os entraves que a sociedade cria dentro do próprio corpo e sobre a percepção de nossa sexualidade? Essas são algumas das questões debatidas na dramaturgia de “Felizes Mortos”. 

 

A encenação valoriza a força do texto e o trabalho das atrizes como principais motores da montagem. O cenário não realista de José Dias cria códigos que remetem a elementos essenciais da peça, que ao longo da trama ganham novos significados. A trilha sonora original de Natália Oliveira, composta especialmente para o espetáculo, marca e representa as passagens de tempo de “Felizes Mortos”, assim como a luz de Gabriel Prieto fortalece a dramaturgia e insere o público dentro da cena. 

 

“FELIZES MORTOS”

Temporada: de 8 a 30 de março – sexta e sábado, às 20h

Local: O Reduto – Conde de Irajá 98, Botafogo. 

Duração: 70 min. Capacidade: 40 lugares. Recomendação etária: 14 anos

Ingresso: R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira) 

 

 

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