Menu
Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, carioca por nascimento e insistência, Olga de Mello considera cultura gênero de primeira necessidade. Consumidora voraz de vários generos literários, ela compartilha com os leitores do ACONTECE NA CIDADE as novidades do mercado editorial.

URL do site: http://olgademello.acontecenacidade.com.br

A construção da autoridade

No início dos anos 1990, a psicóloga Tania Zagury lançou o primeiro de uma série de livros em que defendia o direito de pais e mães exercerem autoridade na criação dos filhos. Entre os diversos títulos que assinou, todos com imensa procura por pais de primeira ou de várias viagens, inseguros quanto a orientar uma geração de crianças e adolescentes desacostumados a acatar ordens dos adultos, Limites sem trauma (Best-seller, R$ 39,90), chega à 95ª edição revisada e com um subtítulo definindo seu público “Construindo cidadãos: para pais do século XXI”.

Crimes quase verdadeiros

Os limites entre a ficção e o jornalismo ficaram cada vez mais tênues desde o início do século XX. Sem entrar no campo do jornalismo literário, aquele que traz à tona as histórias além da notícia, mas que não ultrapassa as barreiras da realidade, a ficção tem se apropriado da objetividade em narrativas que misturam estilos, buscando apresentar diferentes pontos de vista ao leitor. Um dos gêneros mais populares no mundo – e de modesta repercussão no mercado brasileiro -, o thriller, sobrevive dessa mescla de noticiário para desenvolver personagens ambíguos (sem ambiguidade, não existe suspense) e desvendar crimes.

Os livros que doem no peito

Foi nos anos 80 que li Parte de minha alma (Rocco, R$ 6 – em sebos), a autobiografia de Winnie Mandela, em que ela contava sua construção pessoal de militante aguerrida antiapartheid a partir do casamento e da prisão do marido Nelson Mandela, que passou 27 anos na cadeia. A vida conjugal se esfacelou pouco mais tarde. Winnie foi condenada por  fraude financeira e cumplicidade em crimes violentos.  Acabou ali meu encantamento pela autora daquele livro tão bonito, do qual acabei me desfazendo prematuramente. Gostaria de reler esta semana, quando Winnie morreu num semiostracismo.

Escritos em série

Se hoje as narrativas que se contam aos pedacinhos ficaram restritas aos meios audiovisuais (em algum lugar do mundo ainda deve existir radionovelas), a indústria da literatura mantém seu lugar no panteão dos fascículos com as “séries” – livros que contam aventuras e desventuras entremeando personagens já citados em obras anteriores de um autor. Novidade, isso não é. No tempo dos folhetins, Alexandre Dumas continuou a saga de D’Artagnan, Porthos, Athos e Aramis em Vinte anos depois (Intrínseca, R$ 94). Os escritores de policiais geralmente têm um investigador que repete seus métodos em diferentes cenários, de Sam Spade ao detetive sem nome (de Dashiel Hammet), Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence (de Agatha Christie), Phillip Marlowe (de Chandler). E claro, Sherlock Holmes, de Conan Doyle.

Assinar este feed RSS