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Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, carioca por nascimento e insistência, Olga de Mello considera cultura gênero de primeira necessidade. Consumidora voraz de vários generos literários, ela compartilha com os leitores do ACONTECE NA CIDADE as novidades do mercado editorial.

URL do site: http://olgademello.acontecenacidade.com.br

Leituras para relaxar e compreender o processo eleitoral

Daqui a dez dias o Brasil elege um novo presidente da República. Dois candidatos completamente antagônicos em comportamento e alinhamento político se enfrentam. De um lado, a defesa do Estado a serviço da população; do outro, o povo disciplinado por um Estado forte, com amplos poderes de intervenção na vida dos brasileiros. A simplificação das plataformas pode ser aplicada a qualquer um dos candidatos. No entanto, assim que se enumeram propostas, elas diferem radicalmente.

A história envergonhada

Em 1986, a Argentina ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro com A História Oficial.  Além de apresentar ao mundo Norma Aleandro, premiada em Cannes por interpretar a mulher que investiga se sua filha adotiva é um dos muitos bebês roubados  de presas políticas grávidas, o filme aponta uma realidade comum na história recente da América Latina. Essa América, que insiste em se situar econômica, cultural e socialmente pelos  padrões eurocêntricos, moldou-se de acordo com o que visavam os reis católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, patrocinadores da expedição do genovês Cristovão Colombo para o Novo Mundo.

O crime como diversão

Um dos gêneros literários mais populares do mundo, a novela policial há muito vem sendo deixada de lada pelo público, que hoje prefere o terror puro e simples como escapismo de mistério. A conclusão de muitos especialistas é que a constância da violência urbana torna pueris as narrativas ficcionais sobre crimes.  Talvez por isso o mercado brasileiro, sem sonhar em retomar o prestígio que o romance policial desfrutou entre 1931 e 1956, quando a editora Globo lançou 159 títulos de suspense na famosa Coleção Amarela, sempre tenha no prelo alguma trama misteriosa com um serial killer atemorizando um ou grupos de personagens. 

Sobrevivência em águas turbulentas

A pavana é a música lenta e grave que acompanhava uma dança popular na Europa no século XVI. Em indonésio “pawana” significa vento, brisa. Mas em Pawana (Cosac Naify, R$ 22,50), novela de J.M.G. Le Clézio, a palavra é o nome para  baleia, na língua dos indígenas nativos da ilha de Nantucket, na Nova Inglaterra, na costa do estado norte-americano de Massachussets. Maior porto internacional do comércio baleeiro no século XIX, Nantucket, “o lugar onde encalhou a primeira baleia morta”, segundo Herman Melville, é a terra firme dos que partem no Pequod em busca de Moby Dick (Nova Fronteira, 69,90). As referências ao clássico de Melville são elementos de  Pawana, que condensa em menos de 50 páginas a melancolia de quem se sabe responsável pela destruição do planeta.

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