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Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, carioca por nascimento e insistência, Olga de Mello considera cultura gênero de primeira necessidade. Consumidora voraz de vários generos literários, ela compartilha com os leitores do ACONTECE NA CIDADE as novidades do mercado editorial.

URL do site: http://olgademello.acontecenacidade.com.br

Cinderela e o feminismo

Na véspera de um casamento de príncipe com plebeia, o sonho de Cinderela continua enfeitiçando os românticos de qualquer gênero. Em Payback – A dívida e o lado sombrio da riqueza (Rocco, R$ 29), a canadense Margaret Atwood afirma que o dinheiro sempre esteve à frente do amor como mola propulsora da criação literária. A  fórmula “moça pobre encontra moço rico” garante o sucesso da ficção – e não apenas a dirigida para mulheres. Mas o romance “rosa”, produzido em escala industrial desde que Guttemberg  inventou a prensa mecânica, se renova e enriquece o mercado editorial, incorporando elementos ao gosto do público contemporâneo.

Uma relação de amor e indiferença

Segundo a Bíblia, Deus criou o homem para reinar sobre os demais animais.  O reinado, como muitos outros, é absolutista e cruel: mamíferos, aves, peixes e répteis são abatidos em nome da alimentação e proteção dos frágeis corpos humanos. Mesmo que a justificativa para a criação de animais se prendesse apenas aos aspectos da sobrevivência humana, não há razão plausível para ricaços despenderem fortunas em safáris onde matarão elefantes ou leões, ou a caça a focas e pequenos mamíferos cujas peles são usadas em vestimentas, quando existe tecnologia para produção de roupas aquecidas sintéticas. No momento em que a Humanidade mais demonstra paixão pela convivência com animais de estimação também se registram os maiores atentados à vida de espécies criadas e nutridas para servir ao homem, como o extermínio preventivo de aves a cada epidemia de febre aftosa.

O efêmero e o perene na cultura pop

Nem adianta espernear: no alto da lista brasileira dos livros mais vendidos  estão autores  que se tornaram célebres por gravarem vídeos e divulgarem opiniões na Internet. A discutível qualidade literária desses influenciadores digitais, que aproveitam plenamente mais que quinze minutos de fama, é capitalizada pelo mercado editorial com biografias ou livros de atividades, destinados a um público adolescente que dificilmente se interessaria por leituras mais sofisticadas do que revistas bem ilustradas – formatos preferenciais de muitas dessas publicações.

A construção da autoridade

No início dos anos 1990, a psicóloga Tania Zagury lançou o primeiro de uma série de livros em que defendia o direito de pais e mães exercerem autoridade na criação dos filhos. Entre os diversos títulos que assinou, todos com imensa procura por pais de primeira ou de várias viagens, inseguros quanto a orientar uma geração de crianças e adolescentes desacostumados a acatar ordens dos adultos, Limites sem trauma (Best-seller, R$ 39,90), chega à 95ª edição revisada e com um subtítulo definindo seu público “Construindo cidadãos: para pais do século XXI”.

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