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Luís Pimentel

Luís Pimentel

Luis Pimentel é jornalista e escritor, com mais de 50 livros publicados em diversos gêneros. Trabalhou em diversas redações de jornais e revistas e atualmente mantém uma coluna semana no jornal O Dia do Rio Janeiro.
Edita a revista eletrônica Musica Brasileira.

URL do site: http://luispimentel.acontecenacidade.com.br

A cara do Rio

1 - Caminhando pela Rua Uruguaiana, sou abordado pelo garoto que distribui aqueles papelins de propaganda de casas de massagem, cheios de fotos de mulher pelada:
     – Aí, tio! Cabeça branca paga meia.
     A cara do Rio, né não?
 

Odes a gosto

Há quem diga que agosto é mês de desgosto, palavra agourenta, gosto amargo na alma por conta de coincidência de notícias ruins. Não creio nem penso assim. Prefiro encarar o bom e velho agosto como um mês igual a outro qualquer, capaz de nos seus trinta, trinta e um, vinte e nove ou até mesmo vinte e oito dias trazer notícias boas e notícias ruins, escancarar fatos bons, ruins ou nem tanto, começar e passar como passam os dias, a despeito da previsão dos tempos ou dos templos.

São João do carneirinho

Nascido e criado no interior nordestino, sempre curti festa junina. Natal, carnaval, as folias santas ou profanas todas ficavam em segundo plano. Era no São João que o meu coração pulava fogueiras, no sentido físico e no figurado. Bigodinho feito a lápis, camisa de chita, calça remendada, limpo de memória, até hoje, o vômito na gravatinha de crepom após os tórridos porres de quentões e licores de jenipapo ou de maracajá.

Caymmi, o que inventou Abaeté e Itapoã

Contam, sacaneando o autor ou o elogiando, que uma das mais lindas composições da MPB nasceu assim: um dia ele escreveu o verso “Se fizer bom tempo amanhã eu vou”. Um ano depois lembrou que precisava dar continuidade à letra e acrescentou: “Mas se por exemplo chover, não vou”. Claro que é brincadeira com a memória do maior compositor que a Bahia, onde nasceu em 1914 (no dia 30 de abril, mas pode-se comemorar todos os dias), legou ao mundo (Eu sei que temos Assis Valente, Batatinha, Gil, Caetano, Ederaldo Gentil... Mas, fazer o quê?). Também dizem as más línguas que o baiano opera em três velocidades: lento, lentíssimo e Dorival Caymmi. Pois foi lentamente que o Buda nagô dos cabelos e bigodes de algodão construiu uma das mais magistrais obras da MPB.

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