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Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, carioca por nascimento e insistência, Olga de Mello considera cultura gênero de primeira necessidade. Consumidora voraz de vários generos literários, ela compartilha com os leitores do ACONTECE NA CIDADE as novidades do mercado editorial.

URL do site: http://olgademello.acontecenacidade.com.br

As prisioneiras

Buscar a sobrevivência em locais onde não existem afinidades culturais ou sociais é a realidade dos deslocados, que se adaptam a meios onde, muitas vezes, são recebidos com desconfiança e hostilidade. A paquistanesa Malala Yousafzai, a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, ela própria uma deslocada,  traz as histórias de revistou mulheres e adolescentes que passaram pela experiência de migração em Longe de casa – Minha jornada e histórias de refugiadas pelo mundo (Seguinte, R$ 39,90).   Relatos como o da congolesa Marie Claire, que trabalha no acolhimento a refugiados nos Estados Unidos, depois de ver a mãe ser assassinada em sua frente, em Zâmbia, por homens que não queriam a família em seu país. Ou da colombiana María, que fugiu dos assassinos do pai do interior do país para viver num  campo de refugiados em Cáli,  controlado por gangues - atualmente, a Colômbia tem 7,2 milhões de “deslocados internos”.  

Ninguém é obrigado a gostar de ler

Ninguém é obrigado a gostar de ler. Ninguém precisa gostar de ler. Mas muita gente gosta de fingir que tem o hábito da leitura. Poucos são sinceros o suficiente para dizerem que só leem o que é publicado em redes sociais e, às vezes, o noticiário. Não chegam a ser sequer o que Agatha Christie definiu, em uma de suas novelas, como o leitor comum: aquele que gosta de biografias e de romances policiais. 

A sobrevivência do efêmero

De tempos em tempos, nos anos 1960, um escritor entrava na moda. Encantava a crítica, conquistava o público, era cotado para Pulitzer, quiçá Nobel. Os americanos estavam na proa. Ganhavam seus prêmios, vendiam bem e sempre havia Norman Mailer prestes a escrever o grande romance americano, J.D. Salinger sumido depois de meia dúzia de livros maravilhosos, Truman Capote e o new journalism,  John Updike falando sobre as mazelas nacionais. Entre tantos outros, em  1969, o texto irônico e delirante de Kurt Vonnegut Jr causava furor com Matadouro 5 (Intrínseca, R$  44,90), um romance antibélico lançado quando os Estados Unidos enviavam tropas de intervenção ao Vietnã. Para discutir a brutalidade da vida diante da morte, ele relembra o incômodo episódio do bombardeio dos Aliados sobre a cidade de Dresden, na Alemanha, matando 25 mil civis, em fevereiro de 1945. Dois meses depois, os nazistas se renderam.  

As almas pervertidas*

Acontecem com frequência e há mais tempo do que imaginamos, esses massacres de inocentes. Há registros bíblicos sobre a morte de  crianças por ordens do Estado. A eles se somam a incompreensível fúria de assassinos que, em boa parte das vezes, se suicidam depois de entrar para a História como carrascos de desconhecidos. A literatura raramente trata do tema. Uma exceção é o contundente  Precisamos falar sobre o Kevin (Intrínseca, R$  54,90), que deu à britânica Lionel Shriver o Orange Prize ao contar o drama de Eva, a mãe de um adolescente condenado por estar à frente de uma chacina em sua escola.

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