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Olga de Mello (158)

As prisioneiras

Buscar a sobrevivência em locais onde não existem afinidades culturais ou sociais é a realidade dos deslocados, que se adaptam a meios onde, muitas vezes, são recebidos com desconfiança e hostilidade. A paquistanesa Malala Yousafzai, a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, ela própria uma deslocada,  traz as histórias de revistou mulheres e adolescentes que passaram pela experiência de migração em Longe de casa – Minha jornada e histórias de refugiadas pelo mundo (Seguinte, R$ 39,90).   Relatos como o da congolesa Marie Claire, que trabalha no acolhimento a refugiados nos Estados Unidos, depois de ver a mãe ser assassinada em sua frente, em Zâmbia, por homens que não queriam a família em seu país. Ou da colombiana María, que fugiu dos assassinos do pai do interior do país para viver num  campo de refugiados em Cáli,  controlado por gangues - atualmente, a Colômbia tem 7,2 milhões de “deslocados internos”.  

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Ninguém é obrigado a gostar de ler

Ninguém é obrigado a gostar de ler. Ninguém precisa gostar de ler. Mas muita gente gosta de fingir que tem o hábito da leitura. Poucos são sinceros o suficiente para dizerem que só leem o que é publicado em redes sociais e, às vezes, o noticiário. Não chegam a ser sequer o que Agatha Christie definiu, em uma de suas novelas, como o leitor comum: aquele que gosta de biografias e de romances policiais. 

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A sobrevivência do efêmero

De tempos em tempos, nos anos 1960, um escritor entrava na moda. Encantava a crítica, conquistava o público, era cotado para Pulitzer, quiçá Nobel. Os americanos estavam na proa. Ganhavam seus prêmios, vendiam bem e sempre havia Norman Mailer prestes a escrever o grande romance americano, J.D. Salinger sumido depois de meia dúzia de livros maravilhosos, Truman Capote e o new journalism,  John Updike falando sobre as mazelas nacionais. Entre tantos outros, em  1969, o texto irônico e delirante de Kurt Vonnegut Jr causava furor com Matadouro 5 (Intrínseca, R$  44,90), um romance antibélico lançado quando os Estados Unidos enviavam tropas de intervenção ao Vietnã. Para discutir a brutalidade da vida diante da morte, ele relembra o incômodo episódio do bombardeio dos Aliados sobre a cidade de Dresden, na Alemanha, matando 25 mil civis, em fevereiro de 1945. Dois meses depois, os nazistas se renderam.  

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As almas pervertidas*

Acontecem com frequência e há mais tempo do que imaginamos, esses massacres de inocentes. Há registros bíblicos sobre a morte de  crianças por ordens do Estado. A eles se somam a incompreensível fúria de assassinos que, em boa parte das vezes, se suicidam depois de entrar para a História como carrascos de desconhecidos. A literatura raramente trata do tema. Uma exceção é o contundente  Precisamos falar sobre o Kevin (Intrínseca, R$  54,90), que deu à britânica Lionel Shriver o Orange Prize ao contar o drama de Eva, a mãe de um adolescente condenado por estar à frente de uma chacina em sua escola.

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Neste ano novo, revire um sebo!

O ano brasileiro começa na próxima semana, com as listas de resoluções que, tradicionalmente, falam no empenho em comer menos e exercitar-se mais. E, no país em que o índice de leitura é de 2,43 livros/ano por habitante, muita gente tem o objetivo de “ler mais”, atividade para a qual parece faltar tempo. Um tempo que surge  quando o livro certo encontra o seu leitor.

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Folia literária

Com minha biblioteca quase toda embalada, mas ainda sem endereço definido e com pelo menos vinte dias de espera antes da mudança, bateu aquele pavor de dependente químico em risco de ficar sem sua droga. Com tantos livros guardados, separei alguns para não me privar nesta fase de transição. Busquei aqueles que passaram por uma breve folheada, mas que guardei para ler num momento mais oportuno. Como este Carnaval. 

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Enquanto embalo minha biblioteca

A cultura não ocupa espaço,  repetia minha mãe quando nos mudamos para um apartamento maior, onde os livros teriam seu próprio canto, que pomposamente chamávamos de biblioteca. Ao longo dos quase trinta anos, os livros acabaram invadindo outros cômodos. Eram em torno de cinco mil volumes, que, depois da morte de meus pais, acabei juntando aos meus. Como havia muitas duplicatas – impossível viver sem um exemplar próprio de Crônica de uma morte anunciada  -, boa parte foi passada aos amigos. O que não me interessava de forma alguma (a autobiografia de Roberto Campos, por exemplo) seguiu para sebos. Juntando os dois acervos, por muito tempo mantive cerca de três mil volumes comigo.

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Férias para ler na rede

Começou 2019 com a exuberância do calor tropical atingindo temperaturas indecentes. Para enfrentar o ano,  começa o Festival Segunda Chance, com o que melhor esta coluna indicou em 2018. Nos intervalos entre mergulhos nas águas do Atlântico, refestelar-se na rede para reler ou abrir alguns desses livros vai ajudar – e muito – a sobrevivência na nova era que se inicia.

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O combate às crises da existência

A temporada de férias começa e é o momento de se refestelar na rede para botar a leitura em dia. Quem considera os livros gêneros de primeira necessidade já fez seu estoque para a virada do ano. Apesar da flagrante redução nos lançamentos, novas edições de  marcos literários ainda fazem a festa do leitor, como a que comemorou os 80 anos de Vidas Secas (Record, R$ 69,90), de Graciliano Ramos.  O volume traz, além do texto integral, o manuscrito original com as emendas escritas por Graciliano, que, diz a lenda, a cada nova edição cortava mais um pouco da saga da família de retirantes nordestinos que busca sobreviver em face da seca.

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Natal de muitas leituras

Agora que dar livro virou moda natalina, esta coluna, vanguardista que só, lembra que livro nunca foi presente, mas gênero de primeira necessidade. Só procuramos motivos que justifiquem adquirir mais um. E o Natal é um deles. Então,  vamos à derradeira e breve lista de sugestões natalinas!

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