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A artista plástica gaúcha Bina Monteiro estará expondo a partir de 17 de abril, diversas obras na Pequena Galeria do Centro Cultural Candido Mendes. Seus trabalhos são simbólicos, mágicos e enigmáticos e possuem a capacidade de levar o visitante em um mundo de sonhos no qual a caricatura é a síntese da descoberta.
Partindo da colagem em três dimensões, Bina chega aos tableau-objets , relevos para serem fixados na parede que eventualmente se estendem até a box form. Ela chega ao objeto escultórico utilizando cabecinhas e corpos de bonecas e fotografias antigas, objetos de grande poder de sugestão como metáforas da perda e da morte, do que poderia ter sido mas não foi, de um episódio romântico, de uma ironia não corrosiva, das emoções perdidas revividas sem angústia.
Suas obras remetem ao estilo barroco na ornamentação profusa e na gama de cores que revelam uma poesia suave, evocativa e inteiramente feminina. A estrutura sólida de suas obras funde a técnica e a criatividade para compor um universo onde o lirismo e a energia de figuras silenciosas desafiam o convencional. Procurando pelo invisível, os trabalhos de Bina Monteiro nos conduzem a um plano além do entendimento no qual a vida humana se destorce na pura percepção do encantamento. Trata-se de uma artista figurativa sem estereótipos. Há os personagens oníricos envoltos num clima lúdico de infância mas há também fisionomias caricatas, quando a pintora exercita sua ironia em diversas observações sobre a tragicomédia humana. “Bina não faz “arte de mulher” como conseqüência de um programa existencial-ideológico, nem exorciza as talvez agruras de seu sexo. Não faz arte feminista, faz o que responde a sua sensibilidade natural, na qual há lugar para tons de rosas, malvas e azuis. E onde há lugar até para toques de humor. A maneira que Bina Monteiro encontra para fantasiar o tempo e a memória revela que seu processo de criação passa inevitavelmente por um lado ficcional: ela imagina situações, personagens, quase-historinhas, e age como se as tivesse ilustrando. Seguramente desse processo de fabulação interna provém o clima de nostalgia leve que paira sobre a maioria dos trabalhos assinados pela artista.
Neste nosso mundo de começo de milênio perdeu-se bastante aquela dimensão da arte e da beleza como um tipo de prazer sui generis, sem maiores complicações conceituais. Felizmente, em sua essência, as obras de Bina Monteiro pertencem ao reino da gratificação e ela se compraz em partilhar conosco suas memórias imaginárias, perfumadas com um toque de mistério. A Pequena Galeria do Centro Cultural Candido Mendes fica na Rua da Assembléia, 10 / subsolo – Praça XV. A exposição fica em cartaz até 27 de maio de 2008 e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h com entrada franca. Maiores informações pelo telefone 2531-2000 ramais 236 e 243. OBS: A Pequena Galeria do Centro Cultural Candido Mendes na Praça XV não abrirá nos dias 21, 22 e 23 de abril e 1º, 22 e 23 de maio.
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