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A versatilidade sonora do Aquilo Del Nisso PDF Imprimir E-mail
Por Aquiles Rique Reis   
25 de março de 2009

Sample ImagePiratininga (Usina Brasil – Música e Arte) é o sexto CD do Aquilo Del Nisso. Com sua atual formação – Alê Damasceno (bateria), Robertinho Carvalho (contrabaixo), Beba Zanettini (piano e teclados) e Celso Marques (saxes tenor e soprano, flauta e pífano) –, o grupo instrumental paulistano comemora 20 anos de estrada. Para tanto, escolheram homenagear dez pontos da cidade de São Paulo.

Assim, o álbum apresenta dez composições divididas entre três de seus quatro integrantes: quatro de Celso Marques, quatro de Beba Zanettini, uma de Robertinho Carvalho e uma parceria de Celso com Beba.

E o que se ouve é uma mistura infalível de ritmos brasileiros. Tem de tudo um muito: baião, forró, samba, maracatu... Tudo com o som que é marca registrada do ADN.

“Forrobodó” (Celso Marques) começa com o pífano solando a melodia. Seu som característico ainda mais se acentua ao somar-se com teclado, piano e baixo. A bateria marca o baião. O som do baixo é profundo. O piano toca, enquanto a bateria conduz e logo sola principalmente nas peles e nos pratos. O ritmo volta. A flauta tocada com a voz do flautista se misturando às notas de seu instrumento, mais o pífano, se encarregam da melodia e dão à harmonia o que ela precisa para se fazer compreendida.

        “Delícia” (Beba Zanettini) traz o piano dedilhando a bela melodia. O baixo entra. Logo a batera se junta a eles. Vem a flauta e sola, enquanto o baixo marca o ritmo. Piano e baixo tocam em duo, mas logo entregam de novo a melodia à flauta. Aí chega o piano. Aos poucos o ritmo deixa de ser marcado. Ficam a flauta e o baixo. Todos voltam, a bateria torna a pulsar. E a música vai ao final.

        Em “A Lagarta” (Celso Marques), o baixo e a bateria antecipam a entrada do sax. O piano e o baixo criam uma levada das mais contagiantes. O sax é responsável pela melodia. Fica só o piano. A bateria assume a vez de solista. O piano toca repetidamente o mesmo desenho. Vêm sax e contrabaixo e emprestam ao piano o suingue que demonstra o quanto é grande o entrosamento entre eles. O sax segue fazendo misérias, sempre acelerado pela impulsividade do baixo e da bateria, que não afrouxam um instante sequer. O piano sola alguns compassos. E o baixo, o sax e a bateria voltam para finalizar.

        “Praça da Sé” (Celso Marques e Beba Zanettini), única música com letra no álbum, fecha Piratininga. O sax sola enquanto o piano, o baixo e a bateria marcam o ritmo. O som do sax é potente como a flauta que agora sola a melodia. Volta o sax. Logo o piano se junta a eles. A pegada do baião soa pela caixa da bateria que, feito uma zabumba, faz com que o piano apareça como se estivesse sendo tocado num empoeirado terreiro de terra batida. E o ritmo vem forte, como forte é a gente que em São Paulo busca acolhida. Volta o instrumental. O sax retoma a melodia... Fim.

        E por tantas nuances musicais, aquilo que se ouviu só tinha de dar naquilo que deu. Isso é o que é a música brasileira.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4


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